sábado, 2 de outubro de 2010

Perfeição.


Nunca fui  um tipo de mulher perfeita. Sempre tive meus defeitos. Que não são poucos. Sempre preferi tênis ao salto alto. Cara limpa, ao invés de rímel. Terror ao invés de romance. Nunca gostei de drama, nunca gostei de chorar. Sempre gostei de gargalhar, alto, para poder contagiar a todos, com a minha alegria. Sempre derrubava pasta de dente na blusa da escola, antes de ir para a aula, sempre comi café com chocolate no café da manhã. Não gosto de perfeição. Prefiro massas cinzentas ao invés, do velho cor de rosa. Não gostava de brincar de boneca, sempre preferi correr descalça na rua, pensando que tinha asas e poderia voar, Minha mãe, nunca gostou disso. Ela achava que eu tinha que ser aquela criança inocente, que é um ajo. Mas, eu não nasci para ser assim. E ela entendeu, que eu nasci com asas, para mudar o mundo, para poder ser livre. Ela aprendeu a me amar do jeito que eu sou, sem me criticar, sem cutucar os meus defeitos, sem me fazer chorar. Fazendo bolo de chocolate, de domingo a tarde, para que eu pudesse levar na escola, de lanche, no dia seguinte. Ela aprendeu a ter orgulho daquela menina que nunca estudava, mas sempre ia bem nas provas, milagrosamente. Que odiava matemática, e que amava escrever. Que era apegada a sua avó, e não dormia sem seu urso de pelúcia, a noite. Que hoje, vê não uma criança, mas sim uma mulher. Uma mulher igual a ela. Eu nunca fui perfeita. Mas para, aquela que me criou, cuidou, e amou, eu sou. 

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