Ontem estava olhando pela janela, e percebi o quanto estou sozinha. Olhava para o céu azul, para as arvores de tronco longo, e milhares de folhas verdes, de diversos tons. As de tons mais amarelados, dançavam livremente como se fossem mandadas por ele. Olhava também como as nuvens, se movendo levemente, formando desenhos imaginários, que só eu via. Um rosto de perfil, uma mão, depois nada... O azul imenso do céu, ficou sem interrupção branca. E o sol lá, brilhando forte, não deixando se quer um ser sem um pouco de luz. Então percebi como somos semelhantes a imagem de uma janela. Todos nós somos uma grande árvore, na qual as folhas somos nós, todas juntas, umas perto das outras. Algumas se vão, simplesmente, para algum lugar, que nós não sabemos como é, nem onde fica. O sol, representa nossas forças, nossos sorrisos, que invadem a todos. O céu são nossos sonhos... Mas, de repente, enquanto estava mergulhada em meus pensamentos, dei-me conta, que uma borboleta estava voando, para lá, e para cá, sozinha, solitária. Então percebi que aquela borboleta, nessa história me representava. Eu que sou assim, só, a diferente do grupo, a solitária, que prefere sim, ficar só. Quieta, envergonhada, mergulhada em meus sofrimentos, pensamentos e depressões, tristezas, lágrimas, textos, e letras. Nasci para ser assim como uma borboleta; solitária, e neutra.

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